Eleito senador em 2022 com votação expressiva, sobretudo em cidades pequenas — onde o bolsonarismo é historicamente mais fraco do que em centros como João Pessoa e Campina Grande —, Efraim Filho decidiu adotar o bolsonarismo como eixo central de sua estratégia eleitoral para 2026. Os números, no entanto, indicam que a aposta pode estar dando errado.
Hoje aparecendo em terceiro lugar nas pesquisas, atrás do novato Lucas Ribeiro (PP) e de Cícero Lucena (MDB), Efraim parece ter se limitado a um nicho eleitoral que gira em torno do mesmo percentual alcançado pelo também bolsonarista Nilvan Ferreira em 2022: cerca de 18%.
Romper esse teto e se viabilizar para disputar o segundo turno é uma tarefa difícil, especialmente quando o senador se aprofunda em pautas bolsonaristas delirantes e passa a participar de atos sem conexão com as reais demandas da população. Um exemplo recente foi a caminhada promovida pelo deputado federal Nikolas Ferreira, que misturou política e religião em um evento confuso, sem foco em propostas concretas para a sociedade, apenas idolatria a um golpista que está preso.
Se quiser crescer nas pesquisas, Efraim precisará rever essa estratégia. Isso passa por abandonar o bolsonarismo mais ruidoso, concentrar o discurso nos problemas reais do estado e demonstrar sensibilidade às dores do povo paraibano. No Nordeste, o bolsonarismo exacerbado até pode garantir mandatos legislativos, mas raramente constrói caminhos viáveis para cargos majoritários.
Apostar todas as fichas nesse campo ideológico pode custar caro, sobretudo para alguém que nunca foi identificado com a extrema direita. Basta lembrar que, em 2012, o então deputado federal Efraim Filho foi candidato a vice-prefeito na chapa de Estela Bezerra (PSB), na disputa pela Prefeitura de João Pessoa — um dado que contrasta fortemente com a guinada política que ele tenta consolidar agora.
A estratégia de se apresentar como candidato bolsonarista até poderia funcionar em um cenário com quatro ou mais candidaturas competitivas, fragmentando o eleitorado. Contudo, com apenas dois concorrentes realmente fortes na disputa, torna-se extremamente difícil romper a barreira dos 30% dos votos necessária para alcançar o segundo turno.
O post O risco de Efraim ao abraçar demais o bolsonarismo decadente apareceu primeiro em Politika.


