No tabuleiro complexo da política paraibana, uma figura sempre se destacou por não se deixar conduzir por amarras: o deputado estadual Hervázio Bezerra. Seu mais recente rompimento político apenas reafirma uma característica que o acompanha ao longo da vida pública: coerência de postura e clareza de lado.
Hervázio rompeu com o governador João Azevêdo após declarações públicas que considerou ofensivas à sua trajetória, especialmente no que diz respeito à sua passagem pela Secretaria de Esportes. Diante da crítica, não relativizou, não tergiversou e tampouco buscou saídas diplomáticas. Reagiu de forma direta, como sempre fez.
Em situações assim, o caminho mais comum — e mais confortável — seria o da ponderação excessiva, do silêncio estratégico ou da acomodação política. Mas esse nunca foi o perfil do deputado.
Hervázio sempre fez política com identidade. Nunca foi um parlamentar de conveniência, daqueles que ajustam o discurso conforme o ambiente ou o cargo disponível. Ao longo de sua trajetória, construiu a imagem de alguém que assume posições claras, mesmo quando isso implica desgaste, isolamento ou ruptura com antigos aliados.
A política institucional costuma premiar a lealdade silenciosa e punir a divergência pública. Ainda assim, Hervázio optou pelo enfrentamento aberto, deixando claro que não aceita ser desqualificado, sobretudo por quem caminhou ao seu lado por anos.
Alguns podem classificar a atitude como intempestiva. Outros, como um erro estratégico. Mas o fato é que ela está absolutamente alinhada ao histórico de Hervázio Bezerra. Ele não atua para agradar circunstâncias, mas para preservar sua biografia política.
Em tempos de discursos calculados, alianças frágeis e posicionamentos líquidos, Hervázio reafirma um traço raro na política contemporânea: tem lado, tem postura e não negocia sua dignidade política. Concorde-se ou não com sua decisão, de uma coisa ninguém pode acusá-lo: falta de postura.
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