O vereador de João Pessoa, Guga Pet, não é obrigado a apoiar Cícero Lucena nem Lucas Ribeiro para o Governo do Estado. A liberdade de escolha é legítima e inerente ao mandato parlamentar. O que se exige, contudo, é coerência, firmeza de postura e respeito ao eleitor — atributos que, nesse episódio, ficaram em falta.
O vai e vem do parlamentar expõe uma prática política errática. Em menos de 24 horas, Guga Pet articulou a nomeação de um filho para a Secretaria da Causa Animal da Prefeitura de João Pessoa e, logo em seguida, recuou, mudou o discurso e anunciou apoio ao vice-governador. A sucessão de movimentos contraditórios, sem explicação pública consistente, revela improviso e ausência de convicção.
A política não pode ser conduzida como um balcão de interesses imediatos, muito menos como uma moeda de troca pessoal. Quando decisões são tomadas e desfeitas no intervalo de um dia, a mensagem transmitida é a de fragilidade política e subordinação circunstancial — o que popularmente se chama de “política vira-lata”: aquela que abana o rabo conforme a conveniência do momento.
Mais grave do que a mudança de apoio em si é a falta de transparência sobre os motivos reais das decisões. O eleitor espera clareza, previsibilidade e compromisso com princípios, não manobras que sugerem acomodação oportunista. Ao oscilar publicamente, Guga Pet enfraquece o próprio mandato e compromete a credibilidade do discurso que diz defender causas públicas, em especial a causa animal, que exige seriedade, planejamento e independência.
Em um ambiente político já marcado por desconfiança, atitudes como essa ampliam o ceticismo da população. Se o vereador entende que não deve se alinhar a este ou àquele projeto majoritário, que o faça com argumentos, mantendo uma linha consistente ao longo do tempo. Política é escolha, mas também é responsabilidade. Sem coerência, o mandato perde densidade; sem firmeza, vira apenas reflexo das pressões de ocasião.
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