Pouco afeito ao trabalho, o secretário da Guarda Municipal de João Pessoa, João Almeida, passou a demonstrar incômodo com a atuação da secretária executiva, capitã Rebeca. O “erro” dela foi apenas um: trabalhar — e trabalhar bem.
Desde que assumiu a função, a capitã Rebeca imprimiu ritmo, presença e resultados à Guarda Municipal. Sua atuação prática, o diálogo com a tropa e a visibilidade institucional fizeram com que seu trabalho repercutisse de forma positiva nas redes sociais, na imprensa e, sobretudo, entre os próprios agentes da Guarda. Algo raro em uma estrutura historicamente marcada pela burocracia e pela falta de protagonismo.
Esse destaque, no entanto, parece ter despertado mais ciúmes do que reconhecimento por parte do titular da pasta. O incômodo de João Almeida não teria origem em divergências técnicas ou administrativas, mas no fato de a secretária executiva conquistar mais exposição pública, prestígio e reconhecimento do que o próprio secretário — que, até então, pouco aparecia e menos ainda entregava.
Em vez de compreender que resultados fortalecem a gestão como um todo, João Almeida teria encarado o protagonismo de Rebeca como uma ameaça pessoal, e não como um ativo administrativo. A reação, nesse contexto, revela mais sobre a fragilidade da liderança do que sobre qualquer suposto excesso da capitã.
A polêmica expõe um problema recorrente na administração pública: gestores que se sentem desconfortáveis quando subordinados trabalham, entregam resultados e ganham visibilidade. Em vez de liderar, alguns preferem apagar quem brilha — mesmo que isso signifique prejudicar o serviço público.
No fim das contas, o episódio escancara uma inversão de valores. Em uma cidade que enfrenta desafios reais na segurança e na organização urbana, causa estranheza que o problema dentro da Guarda Municipal não seja a falta de resultados, mas justamente o fato de alguém estar produzindo, aparecendo e mostrando serviço.
Trabalhar, ao que parece, ainda é visto como afronta por quem deveria dar o exemplo.
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